num dia de outono daqueles ensolarados ela tava correndo do campus pro parque, umas 10 milhas acho… carro passando assobiando, assédio bobo que rola né, aí de repente o cara nu com meia na cara pula em cima dela, joga nos arbustos, tapa a boca tentando tirar a roupa. Ann lutou pra caramba, apertou a barriga dele, pediu pra parar… um carro passou e ele sumiu correndo. Tremendo toda ela para outro carro com duas mulheres que levaram pro hospital. Não rolou estupro mas o baque foi daqueles que muda tudo. Aqui no Brasil a gente vê isso em parque tipo Ibirapuera, Volta da Pampulha lotada mas risco sempre ali…
A Conquista Antes da Queda
Ann era tímida pacas, pai que botou ela pra correr numa prova escolar de 1 milha, ela com medo de passar nos mais velhos mas ganhou fácil. No colégio virou astro, faculdade cross-country… verão antes do segundo ano resolveu encarar Pikes Peak Marathon, o pico ali na cara o tempo todo, impossível fingir que não existe. Fez o recorde em 1982, menos de 5 horas subindo e descendo, com 19 anos e tá de pé até hoje. Semanas depois já tava pensando em coach pra ir mais longe. No Brasil trail running tá bombando na Mantiqueira ou Pico da Bandeira, subidas pesadas iguais, a resiliência mental que salva nesses perrengues, transforma cansaço em algo maior.
Eu lembro de uma vez que corri na Serra do Mar, quase desisti na metade… mas voltei.
O Ataque que Roubou a Liberdade
De volta no outro dia pro treino, desabou total. Largou o time, parou de correr de vez. Depressão veio junto com ansiedade braba. Terapeuta deu remédio mas anos 80 era outro mundo: TEPT nem se falava direito, tabu total. Pai calado, coach ignorou, terapeuta com pergunta invasiva que envergonhava. Ela se trancou. ‘Ninguém lidava direito’, ela diz. No Brasil Disque 180 mostra isso todo dia, violência contra mulher em todo canto, assédio na rua mesmo lotada como na Maratona do Rio.
Sintomas do Trauma e o Estigma Antigo
Ann se culpava achando que short curto num mundo careta era problema dela… autoacusação que rola muito com sobreviventes. Hipervigilância, flashback, medo de correr sozinha – sintomas clássicos de TEPT. OMS fala que 1 em cada 3 mulheres passa por violência física ou sexual na vida, bagunça a cabeça pra sempre. Hoje é diferente, rede social cheia de gente abrindo o jogo, trocando terapeuta. Conselho Federal de Psicologia tá aí promovendo papo sobre trauma, minha época silenciava tudo, suicídio então nem se fala… os jovem de agora botam pra fora.
Comparando, uns 40 anos atrás era pior, talvez.
A Amizade que Reconstruiu Caminhos
Melhor amiga Karen, também corredora, viu que ela tava presa emocionalmente. ‘Quero saúde, preciso correr mas rua não rola’. Sem confiança em parque como Aterro ou Ibirapuera – igual aqui –, subiram as 52 montanhas de mais de 4.300m no Colorado, todas. Virar adversidade em chance foi o que rolou. Anos depois raiva veio forte: ‘Eu mereço liberdade’. Voltou correndo com três cachorros grandões de escolta, spray de pimenta no bolso. ‘Agora me sinto ok na maioria das vezes, mas se a vibe tá ruim viro o bico’.
A Volta Triunfal e o Poder de Compartilhar
Aos 56 ela fez só a subida da Pikes Peak em 4h18 acho… filho de 17 num doc escolar perguntou por que parou, ela contou tudo cru. ‘Ele chocou mas escutou, criei ele pra ver assalto como crime sério’. #MeToo e marcha de mulher inspiram, atrizes com carreira parada igual a corrida dela interrompida. Compartilhar alivia, passa de geração em geração. No Brasil #EleNão e IBGE com dado de violência doméstica abre diálogo. Pra ansiedade pós isso terapia cognitivo-comportamental, exercício, rede de apoio funcionam bem, ciência aprova.
Realidade Brasileira: Violência e Superação
Fórum Brasileiro de Segurança Pública conta uns 66 mil estupros de 2018 a 2022, e isso é só o registrado… corredora em parque brasileiro sabe o risco real. Mas tipo Ann mostra que trauma não manda no resto. Amiga, raiva bem direcionada, tempo… curam aos poucos. Disque 180 24h pra quem precisa. Ela de recordista vira sobrevivente, depois guerreira… a gente escolhe o que faz hoje né? Correr o pico seu, de verdade ou na cabeça, com garra… será que ela ainda corre? Sei lá auge físico roubado mas liberdade volta diferente.







