Quando cheguei nos 40… sei lá, tipo uns 42 ou 43, parei de ligar pro que não presta. Não que eu tenha virado pedra, mas o que importa de verdade continua aí, e o resto? Bobagem que me enfiaram goela abaixo a vida toda. Falei com umas amigas por aí, na mesma idade mais ou menos, e olha, todo mundo sente isso, uma liberdade esquisita de largar o peso morto.
A sociedade martelava que depois dos 40 vira sucata, rugas varizes peitos murchos, aí você some num suéter daqueles de gola alta pedindo licença pra existir. Mas não, brother… quer dizer, mana, os 40 trouxeram uma força danada. Tem perrengue na meia-idade sim, óbvio, mas agora eu tô no compasso certo de ser mulher de verdade. Nos 30 ficava neurótica como mãe, nos 20 insegura no trampo jovem. Adolescência então? Um caos total de dúvida sobre tudo. Ainda rola umas inseguranças aqui e ali, mas eu me conheço melhor, tipo sei o que curto, o que detesto mesmo – aos 44 isso tá claro como água.
5 coisas que levei 40 anos pra sacar que eu odeio pra caramba
1. Ambiente de empresa grande
Comecei no corre desde cedo, demorei tipo 13 anos pra entender que odiava trampo em firma com mais de 25 gente, e mais uns 7 pra admitir que a maioria delas me dá nojo. Gosto das pequenas, intimidade rola, mas muitas ainda no papo patriarcal de poder só pra uns, produtividade em horas infinitas, crescimento sempre no gás total. Aquela escritora Tema Okun chama de traços da supremacia branca – não que todo mundo seja racista maluco, mas o sistema é feito pro jeito branco masculino ser o rei.
Meu trampo agora é diferente, sou dona junto numa cooperativa de trabalhadores, compartilhamos tudo, equilíbrio vida-trabalho, crescimento devagar mas certo. Faz mais de 20 anos lucrando, 16 pessoas ganhando bem mais que mínimo. Aqui no Brasil o IBGE solta dados que mulher rala mais, jornada dupla explode o burnout. Pra dar um jeito, dá uma olhada em equilíbrio trabalho-vida – eu testei umas paradas assim e ajudou.
2. Homem que me chama de fofa
Parei dois filhos, um deles de cócoras rugindo sem anestesia, e aí vem homem me chamando de fofa? Sinto na hora quem leva a sério ou não. Graças a Deus larguei de correr atrás de aprovação masculina inútil, antes achava que tinha que ser fofa ou esperta pra subir. Em conferência ou festa agora, o deboche vem nos ossos – dou um voto de confiança mas meu instinto de 44 anos sendo subestimada acerta tipo 99%.
Estudos do Conselho Federal de Psicologia mostram como machismo fode a autoestima da mulher, reforçando que a gente é menor. Aqui no Brasil isso é diário, né…
3. Vestido
Uso vestido uns 3 ou 4 dias por ano agora. Nada contra quem ama – meu marido pira em kaftan novo -, mas eu? Demorei pra admitir que me sinto um peixe fora d’água neles. Longo demais nas pernas, curto força cruzar perna toda hora. Sou womanspreader sem culpa (sem invadir espaço alheio, óbvio). Larguei salto na primeira gravidez, vestido uns 10 anos atrás. Guardo pra casamento mas visto como eu quero. Elegância tem mil jeitos além do que impingem. Dá uma lida em liberdade pessoal, muda o jogo.
4. Multidão
Jovem insegura de mãe levava os filhos pra feira desfile piscina coberta – o que “deveria” ser legal. Me convencia que curtia mesmo exausta tonta. Antes dos filhos em D.C. toda saída era brunch bar lotado. Sabia ser introvertida mas via sozinha como recarga amigos como festa. Podia ter ido pros sofás com poucos. Com filhos virou pirralhada snob. Pandemia salvou, sem buffet infantil. Recuso carnaval lotado praia cheia – parceiro quer Disney? Eu fico na casa. Uns amigos meus aqui em SP sentem igual, fogem de rolê lotado…
Pra ficar positiva sem isso hábitos simples funcionam bem.
5. Panqueca
Panqueca… odeio é forte demais. Pai fazia buckwheat com xarope, memória boa mas era só pra doce. Juventude ovos carne salgada. Panqueca sem graça mushy superestimada – waffles crocante melhor. Com filhos pressão pra ser mãe panquecas cool, num acampamento vi outra fazendo e me senti uma porcaria. Meus aprenderam: mundo é assim, uns panqueca outros aveia. Amam aveia torrada hoje – sem fritura bagunça. Vão ficar bem. APA diz autoaceitação cresce com idade, prioriza o que vale.
Quase 45, não compro gola alta não reclamo no espelho… não sorrio pra homem babaca, enfio em vestido ou vivo trampo errado. Tempo é ouro – priorizo o que amo odeio de verdade. Essa clareza liberta mas… será que dura? Tipo resiliência mental transforma mas aqui no Brasil com tanta pressão… sei lá. Kerala Taylor, escritora co-dona agência cooperativa, bagunça ideia de mãe mulher trampo. Textos no Medium Substack Mom Interrupted.







