Por volta de dezembro de 2019… eu tava no fundo do poço com aquele inverno paulista que não perdoa, sabe? Família toda contra, mas resolvi que ia dormir no carro compacto pra poder viajar sem ficar no vermelho todo mês. Uns três anos antes mudei do Rio Grande pro interior de SP, aluguel em Porto Alegre tava um absurdo, queria baixar custos e virar escritora freelance full time. Laços com avô, tias… bônus legal, mas o frio ali é brabo, pior que no Sul, e me jogou numa depressão sazonal feia. OMS fala que isso pega milhões no mundo, no Brasil DataSUS mostra pico no Sul e Sudeste nos meses gelados – tipo, eu sentia nos ossos.
O Inverno que Quase Acabou Comigo
Escrita não rolava pra pagar tudo, peguei trampo de tosadora de cachorro pra complementar… rendia pouco, me tirava de jobs melhores de texto. Céu cinza o tempo todo, frio chegando cedo… “não dá mais pra aguentar isso aqui”. Não era bem ideia de suicídio, mas sabia que mais um inverno balançando pet e redação ia me quebrar de vez.
Há um tempo vi vídeo de uma mina nos 20 morando no carro dela, parecia perfeito: zera custo, foca na escrita e roda o Brasil – sonho velho. Estudos de psicologia ambiental, coisa da APA adaptada aqui, mostram que trocar de lugar mexe no humor, ainda mais com TAS. Resiliência mental entrou em campo: decidi e dane-se, ninguém me fez mudar. Acabei a temporada de pet shop no fim do ano, vendi o que dava, guardei resto com tia e tio, cancelei aluguel e saí num domingo, 5 de janeiro de 2020… depois de um almoço farto em família, tipo despedida sem dizer.
Primeira noite já complicada.
Na Estrada Pela Primeira Vez
Mãe e padrasto em condomínio perto de Salvador me deixaram estacionar lá pra me acostumar – queria Norte pra fugir do frio, mas fiz sentido resolver uns perrengues de segurança primeiro. Não fiz as 12 horas de SP num dia só, saí à tarde, parei motel barato em Minas rumo Nordeste… colchão duro, barulho de galera na folia lá fora. Bens no carro, fácil de furtar – “no que eu fui me meter?”, rolei na cama pensando nisso. Saí antes do sol nascer, achei posto de caminhão daqueles seguros, cochilei umas horas e segui.
Chegando na casa da família, banco reclinado foi melhor pras costas que cama… cobertores sobrando pro calor baiano. Sono ok, mas o resto… transformar perrengue em crescimento virou meu mantra: adversidades em oportunidade, algo assim.
Praias do Nordeste e Aquela Sensação de Lar
Dias no Starbucks local ou lanchonete qualquer, noite Meetup em Salvador, depois vaga “segura” antes do condomínio. 15 de janeiro dirigi pra Jericoacoara no Ceará, praia que eu nem conhecia… seis horas depois, cruzando a ponte, parece que voltei pra casa – estranho né, lugar novo.
Cresci nas serras gaúchas, amava minhas montanhas (sem neve, mas ok), mas praia nublada de janeiro… paz total, pés na areia imaginando pedalar na orla, faz tempo sem bike. Jeri tem vibe vilarejo com mercado e tal, Fortaleza perto pra qualquer coisa. Noites tensas caçando vaga boa, voltei pra base familiar mas logo retornei – de vez, acho.
De Rolês pra Algo Mais Fixo
Duas semanas usando casa da mãe como QG pra viagens curtas… custo de café e estacionamento pesando. Clients novos na escrita, grana subiu um pouco. Voltei pra Jeri, motel por dias, depois Airbnb numa casa velha do século XIX que sobreviveu tempestade – legal demais. Todo dia curtia mais o lugar… antes do Airbnb acabar, aluguei apê na ponta oeste. 13 de fevereiro de 2020 mudei com carro lotado de tralha barata do mercadão: cadeira de escritório, bandeja pro note, cadeira de camping, colchão inflável… adorei, sério.
Mês depois COVID lockdown – leve no Nordeste. Nem senti: vista pra piscina e coqueiro, tempo maneiro, banheiro em comércio aberto ainda.
Resiliência e o Lar Que Eu Não Esperava
Jeri virou casa de verdade, mas depois de anos cansei do turismo louco, quis saúde melhor no continente… vendi o carro em dezembro 2020, ilha atrapalhava. Faz menos de um ano achei apê top perto de Fortaleza – amo igual ou mais. Inverno aqui? Frio forte só uma semana (tipo, data qualquer, ri alto), resto com calça moletom tá suave. Calor úmido bagunça menos que frio… verões quentes compensam invernos leves. Primavera outono? Manga curta enquanto Sul reclama de neve.
Vida no carro não durou pra sempre, mas me jogou no lar certo – sem aquela maluquice de 2019 não rolava. Lições tipo Peter Sage: coragem abre porta. Autoconfiança e mudança radical constroem isso… hoje cobrindo autismo TDAH saúde mental como escritora, sei: ousadia salva. Freelancers no Brasil com aluguel alto e inverno depressivo no Sul sentem o mesmo – mobilidade surpreende.
Duvida? Começa devagar, segurança em dia… estrada ensina, mas e aí, vai tentar? Nem sei se eu faria de novo hoje.







