Ah, depois que o câncer veio em 2001, tudo virou de cabeça pra baixo… eu tava casada desde os anos 90, aí em 98 nasceu minha filha, e de repente o diagnóstico bagunçou a rotina toda. Meu ex sugeriu pular pro litoral sul, tipo em 2003, pra pegar um ar mais tranquilo, sabe? Mas mal a gente chegou, o casamento acabou em briga feia. Sobrevivi ao tratamento, que foi punk, e à separação, criando ela sozinha num lugar úmido e parado, que me deixava sufocada – não era como São Paulo, onde eu cresci no meio do barulho das avenidas e metrôs cheios, sentindo aquela energia que me fazia invencível, tipo uma força elétrica no asfalto. Levantei ela até os 18, em 2015 mais ou menos, quando as coisas apertaram no dinheiro e ela foi pro pai. Fiquei num apê ruim na Baixada Santista, sem ninguém, só esperando visitas que vinham de vez em quando, como se fosse o único motivo pra continuar.
De Enfrentar Adversidades Inesperadas
A solidão batia forte, o mundo encolhia pra uma rotina de pegar e levar, sem futuro à vista… eu me perguntava se tinha mesmo superado o câncer ou se tava num torpor, tipo uma ilusão que o tratamento deixou. Dados da OMS falam que traumas assim, doença grave e família desfeita, aumentam o risco de depressão, ainda mais isolada sem apoio – no Brasil, com o estresse da cidade grande, muita gente passa por isso sem notar os sinais no começo. Minha identidade tava grudada no ambiente, sabe? Psicólogos tipo Maslow, na tal hierarquia de necessidades, dizem que segurança e autoestima precisam de contextos vivos, senão o psicológico vai pro brejo. Foi aí que resolvi quebrar isso, carpe diem no jeitinho brasileiro, improvisando como a gente faz.
A Decisão de Partir para o Desconhecido
Com ela já independente, peguei as economias e vendi umas pinturas minhas – sou artista plástica, faço isso há anos – num pulo, em 24 horas limpas 25 peças numa feira aqui perto, trabalhando sem parar pra manifestar essa mudança. Não voltei pra São Paulo, que trazia dor demais… optei por Florianópolis, em Santa Catarina, pra uma renovação total: praias, mata exuberante, uma galera criativa que eu nunca tinha visto. Cheguei sem um tostão, mas valeu o suor todo – por que não o Rio? Precisava de algo novo, um desafio de verdade. Aqui entregou: fiz amigos logo de cara, daqueles que parecem do destino. A vibe é mágica, não só turista bobo, com dunas e mar que sussurram coisas antigas, tipo lendas do sul.
A resiliência mental ajuda nessas viradas, estudos mostram superação assim – no Brasil, migrações internas rolam muito, IBGE diz que milhões se mudam todo ano atrás de algo melhor, e adaptar vira crescimento, talvez.
A Magia de um Novo Lar: Criatividade e Conexões Humanas
Floripa vai além de sol e mar, tem um ar sobrenatural nas trilhas, como espíritos indígenas ou coloniais… contos folclóricos no vento do Atlântico, parecido com duendes daqui do sul. A galera é aberta, mostra a alma sem frescura – homens que eu conheci não são machões durões, são sensíveis, intuitivos, criam arte sem vergonha, fugindo do padrão brasileiro onde machismo ainda pega em uns lugares. Como Jung falava de anima e animus, isso liberta mesmo. As mulheres são incríveis: generosas, leais, sempre no apoio mútuo e na arte, fiz irmãs de alma que vão durar, iluminando dias ruins de chuva.
O Conselho Federal de Psicologia destaca como comunidades assim melhoram a saúde mental, cortando o isolamento – aqui não tem rejeição, me sinto em casa em feiras de artesanato ou rodas de samba que surgem do nada, um oásis pra reconectar, sabe como é.
Thriving na Sombra Criativa
Falam que o sul chuvoso deprime, mas pra mim essa luz fraca desperta ideias… no inverno úmido, a energia ferve: ficamos com livros, ateliês, papos profundos – me incluo nisso porque a ilha me puxou. Arrisquei vir sozinha depois de anos pela filha, larguei o passado. Agora, com 50 e tal, olho pra trás: da garota de SP cheia de esperança pra artista brotando em Floripa. O esquisito daqui é misterioso, inspira, dá força… escapei do vazio e me sinto nova, perdi uns 15 quilos desde que cheguei, o medo e a preguiça pesavam tanto (lembro de uma vez que caminhei na praia pensando “e se der errado?”, mas deu certo).
Recuperar motivação com mudança de lugar é comprovado, psicologia ambiental mostra que espaços assim boostam o bem-estar, tipo 80% mais energia ou algo assim.
Aplicando a Coragem no Dia a Dia
Vida é curta, ficar esperando numa rotina morta não rola… se a sua clama por virada – perda, doença, tédio –, arrisca. Coragem e zero medo funcionam, no Brasil com nossa resiliência de carnaval e crise, reinventar é viável. Começa devagar: vende o traste, planeja a ida, fala com grupos online de quem muda dentro do país. O universo ajuda quando você mexe. Minha filha veio visitar agora, mostra que rola… larguei a dúvida e abracei o novo. Se eu passei por câncer e divórcio, tu também consegue, transforma bagunça em magia – e aí, vai tentar ou não sei lá.
Construa autoconfiança real pra navegar nisso, o ambiente certo reacende a força, mas nem sempre é fácil no começo.







